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E quando não tens missão de vida?

Hoje vou falar-te sobre sonhos.
Nunca tive a capacidade de sonhar. Quando frequentava algum curso ou fazia algum trabalho de coaching e me pediam para projectar a 1, 3, 5, 10 anos, ficava em pânico. O máximo que conseguia, e com algum esforço, era projectar 3 anos. A partir dai, um lugar escuro tomava lugar.
Não fazia a mais pequena ideia do que queria quanto mais quando!

Era assustador, era claustrofóbico. Ficava triste. Não veres o teu futuro, não teres sonhos é das coisas mais angustiantes que senti. Não a única mas, seguramente, das mais angustiantes. Porque não saber para onde ir, faz não teres vontade de dar o 1º passo e isso paralisa-te.

Vivi paralisada muitos anos. A fazer o que era suposto fazer, a seguir uma agenda de outros. Do meu marido, dos meus filhos, das minhas empresas e das suas necessidades.
E a vida ia-se levanto e eu sou, relativamente boa, a cumprir agenda. Os resultados iam aparecendo.

Com o passar dos anos, com o passar da vida, há uma natural tendência para a avaliação. É inevitável olhares para dentro, para ti. Pensares o que vieste aqui fazer? Como está a correr esta coisa que é a tua vida.?Não gostei do que vi. Muita coisa exterior tinha sido conquistada mas cá dentro, o vazio era gigante.

Muita gente tinha sonhos, objectivos, uma missão de vida e eu era uma borboleta desadequada. Não queria nada para sempre. Agora eu sabia o que queria mas podia passar em dias, horas até. Quando pensava que tinha de descobrir a minha missão, ficava gelada. Gelava ali. Mas então temos de ter uma única aptidão? Temos de descobrir “A” vocação e fazer o mesmo para sempre? Era suposto com mais de 40 anos não ter nenhuma ideia da minha missão de vida?

Ficava encantada quando falava com alguém que amava o que fazia profissionalmente. Era o meu sonho, acordar com vontade de fazer o que amava.
Comecei a ouvir muita gente sobre este tema, a ler sobre o assunto, a investigar. Trabalhei este assunto a terapia, trabalhei este assunto em sessões de coaching sobre o propósito de vida. Sei lá, fiz de tudo.

E, de repente, cheguei a várias conclusões que foram todas libertadoras e levaram-me a um lugar que nunca tinha estado e, confesso, que acreditei que nunca chegaria:

não sou ninguém importante para ter uma Missão. Mas que raio de missão? Eu só nasci, vou viver e vou morrer. Não há nada de especial nesta missão! Sou um ser vivo que nasce e morre. Como biliões neste planeta. Isto aliviou-me como o comandro. Eu sou um ser simples que não tem de ter missão nenhuma especial. Eu não vou e nem quero mudar o mundo! Pronto! 1º questão resolvida. Eu não tenho e nem quero ter missão.

Eu sou simples, uma mulher perfeitamente normal e vulgar! Nada do que possa fazer tem de ser extraordinário. Tem de ser só em consciência, honestidade, verdade e amor.
Fomos bombardeados com mensagens de coisas megalómanas, extraordinárias e incríveis. Só que eu não acredito, mesmo, em nada disto. Eu não quero nada disso. Quero ter uma vida simples, feliz, divertida, cheia de experiências e amor. Deixo o extraordinário para outros. Passo essa coisa de ser super hiper especial e que vou descobrir algo inovador e que vai mudar vidas. Deixo isso para ti 😉

Não temos de ter só uma coisa que nos apaixone. Podemos ter várias ao longos dos anos de vida e podemos ter várias, inclusivamente, ao mesmo tempo. Já sei que nos ensinam que nos devemos focar numa só coisa. Para sermos experts. Pois eu sei… quero lá saber. A vida é minha e eu não quero ser super hiper mega especial em nada. Portanto vou fazer o que me apetecer durante o tempo que me apetecer 🙂

o que escolher fazer agora, não tem de ser para sempre, foi o insight mais importante que tive em todo este processo. Agora gosto. Agora faz sentido. Agora dá prazer. E faças o que fizeres, faz com amor. Não faças fretes na vida. Não dediques tanto tempo a trabalhar só para pagar contas. E pensa só no que gostarias de fazer agora e sonha. Não coloques obstáculos, não deixes a mente interferir. Sonha só 🙂 a execução vem depois.

E, no momento, em que tirei todas estas crenças que me paralisavam, consigo ver-me a 10, 20 anos. Consigo traçar um caminho. Tenho objectivos bem claros. Se os vou cumprir? Não faço a minima ideia e nem estou preocupada. O facto de sonhar, de me visualizar a alcança-los, dá-me tanto prazer que, mesmo, que não os atinja já valeu o sonho!

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